Faça alguma coisa

Por Ivan Junio ( Pastor Insano? )

 

Ontem eu assisti um filme muito ruim. Muito ruim mesmo. Mas até nos filmes ruins D+US está sempre falando comigo. E ELE falou comigo não no enredo ou na história do filme, mas falou:

“Pelo menos eles fizeram o filme.”

Comecei então a refletir nisso. Muitas pessoas tem boas ideias, mas nunca as colocam em prática. Outros não tem ideias tão boas assim, mas a colocam em prática.

Qual vale mais?

Histórias ruins tem se tornado livros e filmes, mas muitas histórias maravilhosas nunca saem da mente de seus autores.

As vezes o perfeccionismo nos impede de fazer. Estamos tão preocupados com a excelência, a super produção, que podemos nunca colocar em prática alguma idéia. Enquanto outros, sem se preocupar com a produção em si, apenas se expressam. Fazem. E muitas vezes acabam surpreendendo a todos.

Estamos cercados de idéias que não tinham grandes investidores e nem altos orçamentos, mas simplesmente revolucionaram. Muitos filmes são assim, com um orçamento baixo alcançam uma grande bilheteria, surpreendendo a todos.

Assim também são com obras literárias, com músicas e até empreendimentos.

Não estou dizendo que devemos fazer as coisas “de qualquer jeito”, sem prezar pela excelência, porém precisamos tomar cuidado para que o que não temos não nos impeça de fazer algo com o que já temos. Esperando o recurso e o investimento ideal, podemos nunca colocar em prática uma ideia ou um projeto que D+US nos deu.

Recentemente li algo sobre o Diretor Woody Allen que me deixou impressionado. Esse cineasta com mais de 66 filmes dirigidos por ele em 50 anos de carreira, foi indicado ao Oscar várias vezes e, inclusive, ganhou algumas estatuetas da Academia. Porém nunca compareceu a uma cerimônia ( exceto uma vez que compareceu não por ser indicado, mas para homenagear Nova York quando houve o atentado de 11 de setembro ). Allen explica que o não pode se sujeitar ao julgamento de outras pessoas, pois, se você aceita quando elas dizem que que você merece um prêmio, precisa aceitar quando elas dizem que não merecem.

O diretor explica que não faz filmes pensando nos prêmios que poderá receber ou no sucesso que suas obras poderão ter. Ele faz porque ama fazer. Tanto que confessa que não lê nada do que dizem a respeito de seus filmes, nem críticas e nem elogios. Também não costuma assisti-los. Ele simplesmente faz seus filmes porque é apaixonado por isso.

Toda obra motivada pela paixão terá, inevitavelmente, um grande alcance.

No meio de toda esta caminhada podemos ficar tão preocupados com quantas curtidas, compartilhamentos, qual repercussão, qual bilheteria, quanto vamos ganhar… e acabar perdendo a essência.

Não importa quão boa seja um idéia. O que realmente importa é se ela vem de uma mente apaixonada que, na realidade que vive e talvez com o pouco que tenha, a colocará em prática.

Há alguns anos atrás comecei a gravar vídeos em diversos lugares trazendo pequenas mensagens para as pessoas. Fazia isso quando o termo “youtuber” nem existia e nem era comum gravarem vídeos de pregações rápidas para o youtube. Eu não tinha muito recurso. A câmera não era tão profissional e ainda era emprestada. Eu mesmo editava tudo. Muitas pessoas foram abençoadas com aquele trabalho sincero e apaixonado que eu estava fazendo. Mas um dia um grande pregador famoso começou a fazer vídeos como os meus. Ele gravava em diversos lugares diferentes, exatamente como eu estava fazendo, porém com uma super produção. De certa forma, sem que eu percebesse, comecei a ficar inibido. Cheguei a brincar com algumas pessoas que eu me sentia como o Chaves vendendo refrescos em um caixote de madeira quando de repente aparece o Kiko em sua super tenda “de menino rico” vendendo refrescos ao lado. O resultado foi que eu acabei diminuindo o ritmo dos meus vídeos, até parar com eles. Preciso confessar que me desmotivei de certa forma, não por causa daqueles vídeos daquele pastor, mas por não possuir a mesma excelência de produção.

Apenas hoje, anos depois, reconheço que deveria ter continuado com os vídeos independentemente da produção que tinha. Tudo por um propósito maior. Mas a minha preocupação com a excelência que eu não tinha, me impediu de continuar fazendo. Ao menos isso tudo serve hoje para me ensinar e também serve de motivação para você agir diferente de como eu agi naquele tempo. Que possamos fazer e continuar a fazer, independente de qualquer coisa.

Hoje temos visto muitos apaixonados gravando vídeos sem toda essa super produção, apenas adorando ao SENHOR com um coração sincero, e suas músicas serem cantadas por todo o Brasil. Enquanto isso temos muito talentos escondidos, esperando uma gravadora os descobrirem, esperando terem uma câmera melhor ou alguém que possam produzir super vídeos. Correm o risco de nunca terem.

Não basta ter muitos projetos e sonhos. O que conta mesmo é quais destes sonhadores vão se expor ao risco de simplesmente fazer e colocar pra fora todo o tesouro que está em seu interior. Ainda que não tenha toda a excelência disponível para isso.

Arrisque-se.

Escreva. Componha. Abra uma empresa. Grave vídeos. Faça com amor isso que está queimando em seu coração para fazer, entendendo que existe um propósito maior e isso sim faz valer a pena.

Não façamos pelos prêmios e pelos aplausos. Eles podem até vir, mas que isso não nos domine e nem nos defina.

Algum livro é melhor do que nenhum livro. Algum filme é melhor do que filme nenhum. Alguma empresa é melhor do que nenhuma empresa. Algum vídeo é melhor do que nenhum vídeo. Alguma canção é melhor do que nenhuma canção. Alguma idéia colocada em prática é melhor do que muitas idéias que só foram ideias, mas nunca se tornaram realidade.

Pense nisso e faça alguma coisa com o que você já tem hoje.

  • Gil

    Reply

    Texto muito impactante, um despertamento para aqueles que deixam morrer em seu coração um projeto plantado pelo próprio Deus.

  • Patrícia Thatiane

    Reply

    Concordo com essa idéia… Embora seja desafiador se lançar com o pouco que se tem… No entanto é preciso lembrar que as coisas ou pessoas grandes, um dia começaram pequenas, mas começaram! Vamos começar também!

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